Confesso: Rogue não é o Assassin’s Creed que eu queria estar jogando. Quando comecei a campanha, estava muito mais animado com Assassin’s Creed Unity, que a Ubisoft não esconde ser o principal lançamento da série para este ano. Com todo o hype voltado para o título de PlayStation 4 e Xbox One, é inevitável que este título, lançado apenas para a geração passada, não pareça só mais um filler, cuja função de existir é, basicamente, não deixar na mão quem ainda está no PlayStation 3 ou no Xbox 360 - uma estratégia assumida até publicamente.
É uma pena que o game tenha recebido tão pouca atenção do marketing da Ubi, porque não lhe falta qualidade nem potencial. Por trás da falta de esforço do estúdio francês em nos empolgar, da promoção à própria apresentação do game (o design de menus e mapas é o mais fraco desde o primeiro AC), Rogue é uma aventura bem balanceada, que sabe dosar os acertos dos episódios americanos da saga dos assassinos sob um tema pedido há muito tempo pelos fãs: jogar na pele de um templário.
O protagonista Shay Patrick Cormack começa o jogo dentro do clã dos assassinos, e só depois se alia à facção tratada como inimiga até então na franquia, em uma história cujo principal mote é mostrar que ambos os clãs são lados da mesma moeda, e que nem um lado é completamente bom, nem o outro é completamente mau. Fora da simulação dos antepassados, não há nada muito interessante: quem revive as memórias de Shay é um funcionário anônimo da Abstergo Entertainment, a paródia da Ubisoft apresentada em Black Flag.